Um posto consegue vender etanol por menos de R$ 4,00? Entenda todos os custos envolvidos

Um posto consegue vender etanol por menos de R$ 4,00? Entenda todos os custos envolvidos

É comum encontrar postos anunciando etanol por menos de R$ 4,00 o litro. Mas será que esse preço realmente gera lucro? A resposta é: depende, porém, na maioria dos casos, a margem é extremamente pequena e, em muitos cenários, praticamente inexistente.

O preço da distribuidora é apenas o começo

Muitas pessoas acreditam que o posto paga apenas o valor informado pela distribuidora. Na prática, esse é apenas um dos componentes do custo.

Sobre cada litro vendido ainda incidem impostos, despesas operacionais e diversos custos fixos que precisam ser pagos todos os meses.

Entre eles estão:

  • Impostos (ICMS, PIS, COFINS e outros tributos);
  • Frete até o posto;
  • Energia elétrica (bombas, iluminação e loja);
  • Aluguel ou financiamento do terreno;
  • Salários dos funcionários;
  • Encargos trabalhistas (FGTS, férias, 13º salário, INSS etc.);
  • Taxas das maquininhas de cartão e PIX;
  • Sistemas de automação e emissão fiscal;
  • Manutenção das bombas e tanques;
  • Seguro;
  • Contabilidade;
  • Licenças e exigências ambientais;
  • Água, limpeza e manutenção da estrutura.

As maquininhas também custam caro

Hoje, a maior parte dos abastecimentos é paga no cartão.

Dependendo da operadora e da modalidade utilizada, as taxas podem variar entre 0,8% e mais de 3% sobre cada venda. Em um abastecimento de R$ 250, por exemplo, somente a taxa da maquininha pode consumir vários reais do lucro do posto.

Quando centenas de abastecimentos são realizados diariamente, esse custo passa a representar milhares de reais por mês.

Funcionários representam um dos maiores custos

Um posto normalmente precisa manter:

  • Frentistas;
  • Caixa;
  • Gerente;
  • Equipe de limpeza;
  • Funcionários da loja de conveniência (quando houver).

Além do salário, o empregador arca com diversos encargos trabalhistas, benefícios, uniformes e treinamentos.

Aluguel e estrutura

Em regiões movimentadas, principalmente nas grandes cidades, o aluguel de um posto pode chegar a dezenas de milhares de reais por mês.

Além disso, existem gastos constantes com:

  • manutenção das bombas;
  • aferições obrigatórias;
  • limpeza dos tanques;
  • equipamentos de segurança;
  • monitoramento ambiental;
  • seguros.

Tudo isso precisa ser pago independentemente da quantidade de combustível vendida.

Então é impossível vender abaixo de R$ 4,00?

Não necessariamente.

Existem situações em que isso pode acontecer:

  • compra de estoque por um preço mais baixo;
  • promoções temporárias;
  • campanhas de fidelidade;
  • estratégias comerciais para atrair clientes;
  • negociação diferenciada com distribuidoras.

Entretanto, manter esse preço por longos períodos costuma reduzir muito a margem de lucro, principalmente quando o custo de reposição do combustível aumenta.

Preço muito baixo merece atenção

Um preço abaixo da média não significa automaticamente que exista fraude. Existem diversos fatores comerciais que podem explicar diferenças entre postos.

Por outro lado, quando o valor é muito inferior ao praticado na região, vale a pena que o consumidor observe outros aspectos antes de abastecer:

  • reputação do posto;
  • avaliações de outros motoristas;
  • histórico de reclamações;
  • qualidade do atendimento;
  • procedência do combustível.

O consumidor deve analisar o conjunto

Escolher um posto apenas pelo menor preço pode não ser a melhor decisão.

Além do valor na bomba, é importante considerar a reputação do estabelecimento e a experiência de outros consumidores.

Aplicativos como o GasMap ajudam justamente nesse processo, reunindo avaliações da comunidade para que o motorista tenha mais informações antes de decidir onde abastecer.

Conclusão: vender etanol abaixo de R$ 4,00 pode acontecer em situações específicas, mas manter esse preço continuamente é um desafio para qualquer posto, já que o combustível precisa pagar impostos, funcionários, aluguel, taxas de cartões, manutenção e todas as demais despesas necessárias para manter a operação funcionando.